MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



domingo, 30 de março de 2008

Felicidade

A felicidade é como o sol, aparece para todos mas em determinados momentos. Enquanto é sol para alguns, escuridão para outros. Mas isso passa. Para o planeta questão de horas, e pra você?

A Felicidade é como o sol e a Terra. O Sol brilha para todos, mas em períodos diferentes. Enquanto uma parte recebe seu calor, a outra se encontra na face da escuridão.

O porque da pretensão

Finalmente cedi às tentações do espírito...Como assim? Cedi à tentação de escrever para que pessoas me leiam...ou melhor leiam as minhas palavras...os meus pensamentos...Senti a necessidade de exprimir por aqui as coisas que me questiono, os pensamentos malucos que me rodeiam...que acho que assim ficarei mais são...Acreditem ou não, escrever pra mim é como uma teoria...Mas não procuro ser pragmático ao fazê-lo...gosto de deixar fluir minha mente, deixar que ela fale, que comande meus dedos, que o utilize como mero instrumento de suas sandices...a seu bel-prazer...Curto escrever ...acho que tenho até um certo talento pra isso....(modéstia, hein?)...mas não admitia..hoje cedi...Quero saber, através deste meio louco, se há mais loucos assim como eu....Gosto de escrever textos, poesias, canções, peças, tudo que me vier....e não costumo corrigir as coisas que falo...ou melhor escrevo...acho que a verdadeira arte é assim...às vezes...instintiva...que com o tempo vamos descobrir a racionalidade por trás daquela subjetividade aparente...Também não vou me preocupar e ler meus textos para ver se tem concordância.Não vou ficar me remoendo por não ter dito aquilo que eu quis dizer, ou do que deveria ter dito de outra maneira. Nem me preocupar com 'críticos".Como diz seu próprio título... estarei sempre "desdizendo" aquilo que disse...será eu mais uma vítima da contradição humana?Também vou fazer críticas às coisas que vejo, sempre expondo meu modo de ler o mundo...Espero que consiga me satisfazer com isso...mas se já tiver um outro louco que o leia e assim se junte a mim na tentativa de mudar o mundo...estarei feliz...

Jorge Braga Jr.

OBS: Texto escrito há algum tempo atrás como iniciativa para a recriação do blog.

domingo, 23 de março de 2008

Já que não tenho escolha

Ao contrário de ti, eu não quero te esquecer
Porque te esquecer é me esquecer enquanto vivo, enquanto completo.
É me trair, é ser infiel ao que sinto, à missa essência..
Vou me encarregar de deixar que as coisas aconteçam no seu devido lugar
E se você vai estar?
Sei lá....
Não quero nem pensar
Em hipóteses, teorias
Se elas não explicam o que se passa com a gente
Nem de perto aplicarão seus conhecimentos ao que isso sucede
Peço que não me esqueça
Mas acho que pode ser isso pedir demais
Se puder, coloque-me num lugar especial
Na sua estante mais próxima
Onde possa visitar de vez em quando
Mesmo que não demore
É lá que eu gostaria de estar...
Já que não tenho escolha...

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Garoto

Não conseguia mais esquecer aquele garoto.
Sua imagem não saia da sua cabeça.
Estava em tudo o que pensava, naquilo que escrevia e também no que se alimentava.
Tentava dormir mas seus pensamentos lhe causavam um turbilhão que impedia que qualquer calmaria se aproximasse.
Seus dias eram intensamente ocupados por suas atividades, mas durante sua trajetória era impossível não pensar nele.
Impossível não pensar no seu sorriso, no seu jeito meigo, nas coisas que havia lhe dito e principalmente nas coisas que queria lhe dizer.
Ensaiava exaustivamente até o tão esperado momento do encontro.
Esse momento nunca chegava.
Isso causava ansiedade.
Seu corpo começava a sentir os efeitos. Já não vinha mais a vontade de comer e nem de fazer as necessidades fisiológicas.
Além do corpo, sua mente sempre se dividia. Parte de seu interior queria ir buscá-lo, a outra preferia aguardar e esperar seu contato. Não queria que fosse algo forçado, ansiava pelo natural.O natural não acontecia.
Aquela situação causava-lhe imensa dor.Dor que de certa forma lhe fazia bem. Se sentia vivo, porém fraco.
Não achava mais graça nas aulas e nas brincadeiras das pessoas. Achava ridículo pensar assim. Sempre imaginou que nunca teria que passar por isso. Afinal, sempre costumava controlar seus sentimentos.
Até então.
Dias se passavam, o encontro não acontecia.
A vida continuou a mesma.
As atividades se intensificavam e sentia-se mais feliz a medida que ia conhecendo cada nova sensação que antes julgava preterir.
A beleza das coisas ia aos poucos retomando o seu lugar.
Tudo voltava ao normal.
Ao seu normal.
Certa tarde o encontro finalmente aconteceu.
Já não era mais aquilo que esperava.
Mas ao contrário das suas expectativas, alegrou-se.
Sua forma física parecia a mesma e através dela podia enxergar seu interior e o quão intensamente havia mudado.
Tudo realmente havia mudado.
Não fosse o medo de olhar-se no espelho.

Jorge Braga Jr.

terça-feira, 18 de março de 2008

Magali Lá Só

Desde pequena Magali gostava de brincar sozinha.
Dizia em sua tenra inocência que evitava o contato, pois as outras crianças gostavam de perturbá-la.
Nas reuniões de famílias, encontros de amigos e outros eventos que, por ventura, pudessem reunir crianças de sua mesma faixa etária, Magali sempre estava sozinha.
Sua mãe preocupava-se com sua solidão, mas Magali mesma nem sequer se percebia só.
Talvez fosse.
Chamava a atenção pelo seu porte, sua delicadeza e seu carisma inconfundível.
Embora não fosse uma criança sociável a outras, gostava de se sentir a mais querida para os adultos.
Esse tempo foi passando e Magali chegou à adolescência sempre muito popular nos lugares que freqüentava. Ela, na verdade, não tinha verdadeiros amigos. Somente pessoas que admiravam sua beleza, bom-humor e sua personalidade. As relações que costumava construir eram as mais superficiais possíveis.
Magali não tinha crise sentimental, não trazia consigo dúvidas existenciais, era perfeitamente segura de si.
Talvez fosse.
Por se encontrar nesta posição tenha se transformado em uma pessoa mais severa com as outras.
Não era raro encontrá-la em momentos de depreciação àqueles que não lhe agradavam.
Nos relacionamentos, Magali era sempre a desejada, a cortejada, mas vivia repetindo o mesmo discurso dizendo que não serviria para ser de ninguém.
Talvez não seja.
Seus namorados enlouqueciam quando eram descartados por um novo pretendente e ela afirmava que eles haviam, de certo, criado expectativas sobre ela e não que ela propositalmente tenha feito algo que os machucasse.
Talvez não tenha.
Para ela, trair a si mesmo é a pior das traições. Por isso, fazia aquilo que tinha vontade sem respeitar os acordos e concessões que havia selado com seus parceiros.No passar dos tempos, muitos beijos e relacionamentos depois, a vontade que muitos tinham em poder tocá-la e desfrutar de algo com ela foi diminuindo. As pessoas começaram a temê-la por ser vista como uma grande partidora de corações.
A impressão que se tinha era que na realidade Magali não era nada daquilo que buscava e dizia ser. Ela já não era especial. Para muitos, passou a ser sinônimo de dor.
Magali começou a perceber o quanto tinha sido somente ela. O quanto as pessoas também criam imagens suas, de características que ela mesma nunca ousou portar.
Magali percebia que havia na verdade uma essência em si mesma e uma outra construída, por sua culpa ou do que quer que seja.
Magali pensava no que fazer para não ser mais vista sob aquela forma. Aquilo definitivamente não correspondia à sua realidade. Ela não se identificava com as qualidades que a ela eram atribuídas.
Magali amava um homem.
Ele compartilhava da mesma opinião da maioria.
Agora ela se encontrava em um dilema: como provar algo se todas as provas já existentes atestavam contra tudo o que ela dissesse?
Magali estava verdadeiramente só e em uma enrascada.
Não gostava de estar nessa situação, porque sabia que, no fundo, era reflexo de tudo que havia dito e feito.
Temia ser tarde demais.
E talvez fosse.

Jorge Braga Jr.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Prosa que escrevi.

Chorava.
Repudiava os atos humanos quando tentava compreênde-los.
Pensava em desistir da vida, dos relacionamentos em seus mais variados níveis, pois para ele amar os humanos só traz sofrimento, mágoa e dor.
Seu choro era cálido, externo, triste, um misto de consignação e aceitação do seu destino.Pensava em como fazer para encontrar um alguém ideal se tudo que lhe fora apresentado não correspondera às suas expectativas.
Ainda expectativas.
Estava cansado de olhar o mundo ao redor e só enxergar situações coflitantes, traições descabidas e mentiras deslavadas, dor e muita dor.
Queria algo bom.
Não queria fazer parte deste ambiente.
Não se reconhecera em meio a esses jogos.
Não sente-se pronto para enfrentar as agruras deste mundo.
Luta.
Contra tudo e todos.
Não quer sofrer.
Magoar-se, voltar atrás, arrepender-se do que havia dito e feito era o que não queria que acontecesse.
Isso ele não permitia.
Orgulho já não tinha mais.
Engolia-o para poder ter aquilo que desejava.
Chorava e chorava.
Já não mais externamente.
Seu choro era interno, calado, sem forças para ser ouvido.
Havia de haver alguma forma de encontrar sua felicidade.
Questionava-se.
Analisava-se minuciosamente.
Procurava encontrar respostas pra tudo.
E tinha.
Não aceitava.
Sofria.
Era humano.

Jorge Braga Jr.