MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Insegurança Protocolar

A gente ta diferente
Como você não percebe?
Não vê
Ou finge que não sabe
Que algo acontece ou deixa de acontecer

Se você não fala nada
Também não sou eu que vou perguntar
Mas até quando faremos caras caladas
Arquitetando jogos cruzados que não conseguimos decifrar

Se acha que o encanto cessou
Diga que me vou
E se eu mesmo não me for
Diga que eu não fique aqui

Estou me vendo sujeito ao princípio,
De tudo, o início
De voltar ao começo
Até aqueles poucos quinze minutos
Que me separavam do embarque
E que me fizeram que ficasse
A enfrentar o que eu hoje desconheço

Se quiser, marque que eu vou
Nós precisamos falar
Sair da conversa protocolar
Atacar o que realmente aflige

Porque se não te aflige
Posso mesmo não te conhecer
Ou se sou eu quem quer respostas agora
Talvez não faça por as merecer

Ou quem sabe a insegurança não esteja aqui dentro de mim
Talvez ela paire hoje sobre você.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Velho Clichê

Eu queria , meu bem, um amor assim
Que fizesse de um tudo por mim
Que me amasse
Que limpasse o chão que eu pisasse

Um amor assim, maior que eu
Que se hipnotizasse ao primeiro olhar meu
Que arriscasse sua vida
Que destinasse seus dias
A só me querer bem

Um amor desses de sonhos
De inventos e intentos
Que se dedicasse a satisfazer todos os meus devaneios
Um alguém pra ser inteiro
Somente pra mim

Um romance assim desses de novela, cinema,
Ou qualquer tipo de ficção
Contos de fadas,
Televisão

E você quer a quem?
Ao menos sabe o que é amar?
Eu ainda espero aquela velha cena clichê
Espero você
Que não vem
Nem virá.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Verde, Vermelho e Amarelo

Quero te ver através do seu pára-brisas
Quem é que se esquiva?
Que não quer se ver

Trânsito lento
No calor do momento
É raro ter um minuto
Pra pensar em quê

Com o sinal fechado
Eu te atravesso
Sem cortes inesperados
Se você avança
Aí, sou eu que me retraio
Será medo de ser feliz?

Indubitável, ainda é
Inesquecível, ainda é
Inelegível
Outro amor sem ser você

Se o apreço é bom
O abrigo é certo
E eu vou ser esperto
Não posso te perder

Verde, meus olhos
Vermelho, seu rosto
Amarelo, é desgosto?

Verde
Vermelho
Amarelo
São sinais
Só sinais
Eu espero
Eu espero

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sem rumo

Dessa vida a gente nada leva
Eu só me pergunto qual delas você está a levar
Se te perdes
Te asseguro
Não mudo
Só penso que não queira se achar

Absurdo
Um muro
Entre nós
Invisível
Que não se pode quebrar

Não me curo
Eu juro e esconjuro
O que é certo é o que fica
Não dá pra mudar.

Refrão

Então siga a ponte criada pelos seus desejos
Enquanto meu rio de prazeres vai encontrar a queda mais próxima
Segue a estrada que vai a sua frente
Sem olhar pra trás

Içando as pedras no caminho
Eu sigo minha trajetória, em flor
Eu sei
Já não mais vou
Olho a natureza ao meu redor
Sinto o cheiro que não se decifra
Só não me tenha dó
Só te digo

Siga a ponte criada pelos seus desejos
Enquanto meu rio de prazeres vai encontrar a queda mais próxima
Segue a estrada que vai a sua frente
Sem olhar pra trás
Sem se arrepender

Dois e cinqüenta

Moço, você tem dois e cinqüenta
Para eu pagar minha passagem
Você sabe
Eu não posso me atrasar
Não posso chegar tarde

Olha só, minha TV é de plasma, é de LCD
Ela é plana
Mas minha vida não
Meu celular
Última geração
Cheio de função
E a minha vida...

E se fora verdade
Esses versos não vão resolver
Vida sem idas
Só voltas
E se fora verdade
Eu não sei
Só pergunto
Quem vai saber?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Crítica: Esquenta!

Nos primeiros minutos achei tudo muito colorido demais, muita informação e fiquei com medo de que este ambiente familiar ficasse forçado. Mas com o tempo, o programa foi ficando realmente com cara de natural, juntando familiares dos artistas e pelos comentários feitos.

Destaque para a entrevista do presidente LULA que o mostrou como popular , igual a nós, o que é bem a cara do programa.

Só um detalhe que me incomodou muito: Os cortes bruscos. Não sei se é essa a intenção, mas me deu a impressão de que havia muito material (útil por sinal) para pequena duração do programa e muitas conversas e declarações interessantes perderam o sentido. Fora as figuras que apareciam do nada em plena conversa.

Regina Casé também é um destaque a medida em que não tenta forçar a alcunha de popular e dizer coisas que realmente nos faz pensar, como quando citou a forma de as pessoas atualmente andarem nas ruas e não olharem para o lado e enxergar as pessoas reais. Gosto da espontaneidade com que diz alguns textos roteirizados e a sua capacidade de improvisar diante das situações.

E em relação às crianças e jovens, senti que ficaram muito dispersos no cenário, sem muita função a não ser dançar durante os números musicais. Seria interessante se pudessem intervir também e fazer perguntas diretamente aos convidados, assim como uma criança fez ao Lula.

Um ponto positivo também é a diversidade de atrações musicais que podem render números inesperados. O que foi a Velha Guarda da Portela tocando e cantando um samba de roda. Seria interessante que se investisse mais no inusitado e às vezes menos no roteiro programado. Assim, seria criado uma espécie de reality show com a impressão de que é uma festa realizada mesmo na nossa casa.

O Esquenta, em geral, ainda não me esquentou.
Gostei da idéia e do tom, mas vamos ver no próximo domingo com a participação de Maria Gadu e Caetano Veloso.