MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



domingo, 10 de julho de 2011

Usuado

Você é caixa
E não se dá o valor
Eu não sou nada
E só quero seu amor

Quem é que vai me usurpar das calçadas
Fazer da devassidão minha morada
Me encher de trejeitos, de beijos,
Sinceros, espero
Quem me leva ao seu apartamento
E me dá um desonesto aporte de um elo
Faz pensar no que eu quero

De mais a mais
Há sempre um feriado para se prolongar
E para te confundir, carnavais

E num esbarro quadrado
Um enganoso recado
No meio da multidão

Um gesto sem jeito e singelo
Após um beijo em recuo de estepe
Já me dizia o que eu era:
Só mais um em suas mãos.

Rebuscar

Medo de buscar as coisas que eu deixei
De descobrir que não esteja mais lá
Eu e as coisas
As coisas e eu que quero muito só pensar
Em voltar
Que decisão difícil
E por achar que é logo ali
O que pode me desprender de tudo aqui
E a espera é interessante
O adiantar da hora, tocante,
E nada mais parece mudar

Medo de não estar lá
As coisas
E eu
Eu e as coisas que deixei
De não estar mais aqui
De saber que não existi
E que não há
Nada demais a ficar
Do que só recordar

Vou, então, abrir meu guarda-chuvas
Assim que pegar
E cuidar da minha saúde
Pois quem sabe assim eu mude
E possa também te transformar

Numa semana
De férias
Passa rápido
Demais
Se é que há mais

domingo, 3 de julho de 2011

Dá dó

Deixar de viver em par
É risco de acontecer um só
A pedra que te leva ao mar
Dá dó

O amor que se faz assim, belo
És linda, a flor que eu quero
Beija a testa, sorri com o olhar
Meu desejo é te presentear

Te encher de abraços
Deixar escorrer, meu calo
Deixar de sentir
Um estalo, a vida a escrever
Um texto sem sentido e saudade
É o caminho que vai e que volta
Reciprocidade

Dá dó
Te ver só
Assim sem mim
Dá sim
Na garganta um nó
É tristeza
Dá dó

Dó dá
Dó dá
Sim
Sim