MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



domingo, 24 de abril de 2011

Quarto Mudo

Sobrevoando a mente
O passado às vezes volta ao presente
Só pra me trucidar
Eu penso que é melhor dizer verdades
Ser sincero demais
Todavia pode incomodar
As emoções fervilham dentro de um quarto mudo
E não é absurdo pensar que havia ali muita coisa a dizer
A aprender
E a retribuir
E a presentear

Nada mais que palavras que vamos guardar
Nada mais que emoções a compartilhar
Nada mais a dizer, sentir ou achar
Saiba que te admiro

Embora seja mais o que eu sinto
Não quero te perturbar
Quero seu eterno sucesso
Ainda que pense que eu possa nele ajudar

Vem cá,
Me dá mais uma vez aquele abraço apertado
E não me deixe de lado
Não se preocupe tanto comigo,
Já sou adulto, crescido
E vou saber encarar

O que vier de ti
Eu vou ouvir e me orientar
E no que mais seu corpo falar
Dito assim,
Afirmado e reafirmado
O amor pelo que se construiu sobre o que houve
Será bem maior do que a tristeza pelo o que não há.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quero você

Às vezes penso que posso ser a solução pra sua vida
E você para a minha
Nem que seja alguém para curar a ferida
Quero sua companhia

Não adianta mais a gente reclamar
Dessa onda de amores que vem e vão e incertezas,
Te digo, penso que o certo esteja o mais próximo
Se você não enxerga, paciência.

Só que não consigo te dizer abertamente
Após este vão que hoje me entristece
Saiba que é em você que penso quando anoitece

E novamente amanhece,
Já não tenho coragem alguma ainda pra falar
Está tudo aqui dentro amarrado
Trancado, temo naufragar

Não esmero ser só a resolução de um problema
Queria que só me enxergasse, apenas
Como alguém que aprendeu e comeu do fruto de todas as árvores
E aprovou o gosto pela sabedoria
Da prova do certo e do errado
A gente faz por merecer

Eu não sei o que sinto de verdade
Sei que não é mais que terno e sincero
Se a recíproca é verdadeira?
Esta dúvida me enlouquece
E pode não parecer
Ao contrário do que ajo e finjo não ver,
Eu quero você, você, você.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Degelo

Coração de gelo
Não me mete medo
O meu é de diamante
E pode te furar

Nesse campo açoite
Eu sou o mandante
Nesse jogo errante
Eu consigo acertar

E vou errar
Até quando me disser não
Eu vou me acertar
Quando o improvável me vier o sim
Será assim
Só pra me libertar

Que quando junta o nós
Nesse feijão com arroz
Não há só mais que nós
Que há para desatar

E este meu coração, tão frágil e são
Será um doce vilão
Que te faz pernoitar

Você só se entregou
Renegou o amor
E agora que o achou
Não me quer amar