Viver para você é contradição
Quanto mais eu fujo, mas te tenho na minha mão.
È como viver esperando o fim
Quanto mais me entrego,
Mais me arrependo...
Estou em um rio que me leva a uma corredeira, e lá o que haverá?
Além de você e de mim
o que será daquilo que construímos?
Daquilo que vivemos.
o que buscamos?
Me encontro em você
Você em mim.
Não quero viver pensando no fim.
o decorrer é muito melhor.
Nos amamos, Nos queremos ou é algo apenas satisfatório.
o que importa é que somos um, apenas um.
Ao menos enquanto me beija,
Enquanto me abraça
Enquanto me faz.
Sentir quem sou.
É no encontro com você que me descubro.
Me desviro, te desviro.
Assim nos redescobrimos.
Sou mais humano perto de você.
Mais fiel e leal quando penso em você.
Onde isso vai?
Não dá pra voltar atrás
Já me ganhou
Ou me derrotou.
o que quer mais?
Eu sei que eu também quero ir
Aonde você for, eu vou
Sair, fugir, correr,me esconder
É já o que faço se eu não te tenho aqui.
Jorge Braga Jr.
MEu canto para externar as coisas que sinto ou para aquelas que sou apenas um veículo onde possa fazer sentir.
MÚLTIPLO EU
Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Intempéries
Estou aqui no meu lugar
Ele vem me perturbar
Ainda diz que sou fria e parada
Mas é ele que sempre vai voltar
Quando me acostumo com a sua presença
Me deixa e promete retornar.
Nunca na mesma hora.
Nunca no mesmo lugar.
Sempre que vai, leva um pedaço de mim.
Ás vezes, age com violência e fúria, me faz ruir.
Ele aparenta calma,mas guarda em si inúmeras tempestades.
Tento contê-lo,
Ajo em vão.
Ele me invade e me destrói com sua ação.
Não há o que fazer
Essa é a nossa natureza
Não há o que mudar
Eu sou uma dura rocha da praia
Ele é o vasto e imenso mar.
Jorge Braga Jr.
Ele vem me perturbar
Ainda diz que sou fria e parada
Mas é ele que sempre vai voltar
Quando me acostumo com a sua presença
Me deixa e promete retornar.
Nunca na mesma hora.
Nunca no mesmo lugar.
Sempre que vai, leva um pedaço de mim.
Ás vezes, age com violência e fúria, me faz ruir.
Ele aparenta calma,mas guarda em si inúmeras tempestades.
Tento contê-lo,
Ajo em vão.
Ele me invade e me destrói com sua ação.
Não há o que fazer
Essa é a nossa natureza
Não há o que mudar
Eu sou uma dura rocha da praia
Ele é o vasto e imenso mar.
Jorge Braga Jr.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Quero muito tudo isso...
Quero
gargalhar com Fernanda,
Afogar-me com Clarice,
Chorar junto ao Caio,
Sentir como ele sentisse,
Ter você bem mais que perto, Ana
Saber que ela me ama
Te levar pra cama, madonna
Te dar prazer
Quero
Desejar boa sorte a Vanessa
Não deixar-te só
Ser romântico tal o Lee
Ver com a Lee o que há entre o sexo e o amor, Jabor
Renascer com a fênix de meu xará Jorge
Reconhecer-me no santo guerreiro
Descobrir que não tenho medo
Tentar não dissimular e disfarçar e esconder...
Quero
Inventar uma nova paixão marrom
Saber viver
Aprender com a vida
Aproveitar cada minuto antes disso tudo uma tragédia virar
Fingir e sair na noitada
De rir, me acabar
Não só dinheiro
Amar...
gargalhar com Fernanda,
Afogar-me com Clarice,
Chorar junto ao Caio,
Sentir como ele sentisse,
Ter você bem mais que perto, Ana
Saber que ela me ama
Te levar pra cama, madonna
Te dar prazer
Quero
Desejar boa sorte a Vanessa
Não deixar-te só
Ser romântico tal o Lee
Ver com a Lee o que há entre o sexo e o amor, Jabor
Renascer com a fênix de meu xará Jorge
Reconhecer-me no santo guerreiro
Descobrir que não tenho medo
Tentar não dissimular e disfarçar e esconder...
Quero
Inventar uma nova paixão marrom
Saber viver
Aprender com a vida
Aproveitar cada minuto antes disso tudo uma tragédia virar
Fingir e sair na noitada
De rir, me acabar
Não só dinheiro
Amar...
Papo reto: poesia idem
Papo reto: poesia idem
Você diz que te pedi demais
Mas o seu demais, fui saber, ainda era pouco
Talvez apenas o essencial para que eu me alimentasse
porque sei que se não te amasse
Eu faria pesadelos de você dentro de mim
Não pense que eu seja fraco
(Não se engane)
Como você eu também soube representar
Assim sentia-se forte (você/eu)
A melhor forma de conhecer alguém é conferindo-lhe poder
E nesse teste você não passou
Como em tantos outros
Ao olhar pra trás fico tranquilo
Enquanto anda perdido
Sei bem meu caminho
A um lugar que sei onde quero estar
Deixei admiradores
E você?
(Dissabores?)
Carisma não é sinônimo de caráter
E te digo mais,
Precisas trabalhar
Não é se escondendo atrás de falsas fés renovadoras (que você vai se achar...)
Tem a astúcia e a malícia de fazer com que as coisas fiquem leves pra você
É a forma que encara
De coitado
sabe bem...
Preciso falar mais?
Quem cala consente
E você já não engana mais ninguém
O que vivemos pode ter sido uma grande mentira
Mas não fui eu quem criou circos e fantasias
Se está assustado com o teor dessa poesia
Essa foi a maneira que achei pra te dizer
Que seu dom é desapontar as pessoas
e o meu é o de não esquecer.
Você diz que te pedi demais
Mas o seu demais, fui saber, ainda era pouco
Talvez apenas o essencial para que eu me alimentasse
porque sei que se não te amasse
Eu faria pesadelos de você dentro de mim
Não pense que eu seja fraco
(Não se engane)
Como você eu também soube representar
Assim sentia-se forte (você/eu)
A melhor forma de conhecer alguém é conferindo-lhe poder
E nesse teste você não passou
Como em tantos outros
Ao olhar pra trás fico tranquilo
Enquanto anda perdido
Sei bem meu caminho
A um lugar que sei onde quero estar
Deixei admiradores
E você?
(Dissabores?)
Carisma não é sinônimo de caráter
E te digo mais,
Precisas trabalhar
Não é se escondendo atrás de falsas fés renovadoras (que você vai se achar...)
Tem a astúcia e a malícia de fazer com que as coisas fiquem leves pra você
É a forma que encara
De coitado
sabe bem...
Preciso falar mais?
Quem cala consente
E você já não engana mais ninguém
O que vivemos pode ter sido uma grande mentira
Mas não fui eu quem criou circos e fantasias
Se está assustado com o teor dessa poesia
Essa foi a maneira que achei pra te dizer
Que seu dom é desapontar as pessoas
e o meu é o de não esquecer.
domingo, 13 de abril de 2008
Armário
Abriu os olhos e percebeu que de repente estava ali.
Confessava para si mesmo que era um lugar que não queria estar, mas sabia que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer.
Parecia que já estava predestinado. Por isso, acreditava em instinto, intuição.
Não deu outra, só foi se distrair e lá acordar.
Está há algum tempo nesse lugar.
Não consegue mais sair.
Tem medo do que pode haver lá fora.
É ruim viver ali, é apertado, sujo e quente.
Só o fato de temer o que pode acontecer ao sair, o deixa inerte nessa situação.
Pensa: Será que mudar de tática agora não é uma opção mais interessante?
E lá se vão alguns anos.
Uma nova mudança de pensamento, minutos, horas.
E nenhuma decisão.
Perguntava-se: Aqui ainda posso encontrar palavras de afeto, e o que será dali em diante?Consigo carrega mágoas, acontecimentos guardados no fundo do peito que batem como estacas imprecisas e oportunas.
Sair pode parecer uma opção perigosa, entretanto pode ser uma esperança de liberdade.
Esse "pode ser" o incomoda.
Queria ter a certeza das coisas, dominar a razão e colocar sua emoção em um local onde pudesse ser completamente controlada.
Só o momento da decisão bastava para que ficasse confuso.
Não sabia o que fazer diante daquela situação.
Sair ou ficar era uma questão que realmente o fazia sofrer.
Os relógios corriam.
O momento da escolha, tão esperado por ele e que somente ele detinha o poder de criar, estava chegando.
Não que houvesse alguma fonte externa de estímulo para suas ações, mas buscava sempre ser o mais coerente possível com o seu querer, com a sua essência.
Ela ansiava pela liberdade, pois viver em um molde aparentemente perfeito o deixava inteiramente louco.
Questionava-se a respeito desse mundo perverso.Não queria viver nessa forma imposta, pré-fabricada.
Não queria viver um personagem afim de agradar a diversos autores.
Queria ser ele mesmo o autor de sua própria história: sua vida.
Quanta diferença há entre o querer e o poder, o pensar e o realizar!
Neste meio há tantos nuances, tantas emoções totalmente inenarráveis.
Sentia-se mal com isso, pois era de seu costume categorizar os sentimentos como quem categoriza elementos químicos ou qualquer outra matéria.
Parecia desistir de pensar pois constatou que esse processo demandava muitas de suas energias.
Mudava de estratégia.
Abria e fechava os olhos.
O sono não viera.
A porta finalmente se abrira.
Quem vinha?
Confessava para si mesmo que era um lugar que não queria estar, mas sabia que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer.
Parecia que já estava predestinado. Por isso, acreditava em instinto, intuição.
Não deu outra, só foi se distrair e lá acordar.
Está há algum tempo nesse lugar.
Não consegue mais sair.
Tem medo do que pode haver lá fora.
É ruim viver ali, é apertado, sujo e quente.
Só o fato de temer o que pode acontecer ao sair, o deixa inerte nessa situação.
Pensa: Será que mudar de tática agora não é uma opção mais interessante?
E lá se vão alguns anos.
Uma nova mudança de pensamento, minutos, horas.
E nenhuma decisão.
Perguntava-se: Aqui ainda posso encontrar palavras de afeto, e o que será dali em diante?Consigo carrega mágoas, acontecimentos guardados no fundo do peito que batem como estacas imprecisas e oportunas.
Sair pode parecer uma opção perigosa, entretanto pode ser uma esperança de liberdade.
Esse "pode ser" o incomoda.
Queria ter a certeza das coisas, dominar a razão e colocar sua emoção em um local onde pudesse ser completamente controlada.
Só o momento da decisão bastava para que ficasse confuso.
Não sabia o que fazer diante daquela situação.
Sair ou ficar era uma questão que realmente o fazia sofrer.
Os relógios corriam.
O momento da escolha, tão esperado por ele e que somente ele detinha o poder de criar, estava chegando.
Não que houvesse alguma fonte externa de estímulo para suas ações, mas buscava sempre ser o mais coerente possível com o seu querer, com a sua essência.
Ela ansiava pela liberdade, pois viver em um molde aparentemente perfeito o deixava inteiramente louco.
Questionava-se a respeito desse mundo perverso.Não queria viver nessa forma imposta, pré-fabricada.
Não queria viver um personagem afim de agradar a diversos autores.
Queria ser ele mesmo o autor de sua própria história: sua vida.
Quanta diferença há entre o querer e o poder, o pensar e o realizar!
Neste meio há tantos nuances, tantas emoções totalmente inenarráveis.
Sentia-se mal com isso, pois era de seu costume categorizar os sentimentos como quem categoriza elementos químicos ou qualquer outra matéria.
Parecia desistir de pensar pois constatou que esse processo demandava muitas de suas energias.
Mudava de estratégia.
Abria e fechava os olhos.
O sono não viera.
A porta finalmente se abrira.
Quem vinha?
Pablo e seus quadros
Pablo era um menino sem brilho. Era o que diziam.
Daquele tipo de pessoa que sabemos que possui um grande potencial mas que por uma razão ou por outra não demonstra tais habilidades.
Ele tinha uma certa habilidade.
Um dom, diriam alguns.
Sua atividade preferida era a de pintar quadros.
Fazia-o desde pequeno e até agora, ao atingir sua maioridade, não os havia mostrado a ninguém.
A ninguém em especial.
Por acreditar que o que fazia não era um ato louvável, às vezes até envergonhava-se ao confirmar o fato se acaso descobrissem suas obras escondidas nos armários obscuros de seu sótão, não saberia o que fazer.
Pablo nunca havia pensado em mostrar sequer uma obra a qualquer pessoa. Nem aquela em que sentia mais confiança. Não que tivesse medo de críticas, certamente não era isso que o incomodava, mas era o medo de se arriscar, do que viria a partir desse momento.
Um dia pensou a respeito da efemeridade de nossas vidas, a respeito de que como estamos de passagem. Relutara muito em aceitar, contudo pensava na possibilidade que havia de ninguém em nenhum momento vir a conhecer suas obras. A conhecê-lo como um todo.
Isso o atordoava, então que descobre meio que sem querer um pintor.
Decidiu mostrar seu primeiro quadro a ele, e ainda que este tenha pintado alguns quadros, possivelmente não era um profissional. O pintor analisou, admitiu que as suas obras eram de fato especiais, que ele era um pintor especial, entretanto sentia que não estava preparado para retornar a ele com o que precisava. Ainda assim, pediu que ele não desistisse.
Pablo temia ser incompreendido, se é que deveria haver alguma razão em suas expressões subjetivas.
Pablo não desistiu. Era apenas a primeira tentativa.
Embora às vezes o desânimo viesse subitamente tentar lhe fazer esmorecer, estufou o peito e decidiu levar outro quadro para um outro artista.
Quem sabe o problema estava não nas suas habilidades questionáveis, mas na obra apresentada primeiramente. Ainda que admirasse a obra do primeiro pintor, era apenas a única referência que havia conhecido até então.
Em um local inusitado, por mera obra do destino ou sabe-se lá por que motivo, conheceu um segundo artista.
Esse, segundo constava, já demonstrava possuir uma vasta experiência no campo das artes.
Pablo, dessa vez, não hesitou em mostrar-lhe um de seus quadros. Era a chance que tanto ansiava, pensava.
O pintor também não hesitou e avaliou sua obra.
Deu dicas e sugestões que Pablo nunca havia pensado.
Novas técnicas, novos ensinamentos. Sabedoria.
As trocas tornaram-se cada vez mais intensas e então, devido a uma viagem profissional, o artista teve de viajar para dedicar-se as suas próprias obras.
Em um primeiro momento, prometeram corresponderem-se sempre. Não foi o que aconteceu ou o sempre acabou.
pablo, no entanto, compreendeu. Mesmo porque nunca havia conhecido uma alma tão bondosa, que doasse mais que recebesse, que na verdade nem se importava com as vantagens que poderia obter nesta relação.
pablo começava a julgar que seu destino havia se selado: Pintar somente para si. Afinal, haveria um crítico ou entendedor de suas obras melhor que si mesmo?
Pintou, pintou, e não conseguia concluir nenhum processo criativo. Pensava em desistir. Talvez seu futuro não estivesse realmente ligado a oportunidades de pintar quadros. Não mais acreditava em seu talento e no que poderia concretizar.
Passou praticamente um ano sem concluir uma única obra. Vivia de seu acervo. Acervo que o refletia.
Queria inclusive deixar de pintar e seguir outros caminhos porém lá dentro sabia que ainda pulsava uma força, sentia que havia uma missão ainda a ser cumprida.
Assim, não mais que de repente, Pablo encontra um velho amigo. Talvez aquele que um dia tivesse cogitado mostrar-lhe seu particular acervo.
Como ele, o velho amigo também tinha a habilidade de pintar, descoberta recentemente.
Pablo, dessa vez, hesitou.
Refletia sobre o que poderia ganhar ensinando os básicos preceitos desta arte a alguém que não sabia o que nisso consistia.
Pintar, para Pablo, era mais que um simples ato de expressão de seus sentimentos, era sua vida. Respondia que etsava morto quando não pintava.
Queria encontrar alguém que lhe impulsionasse, que lhe desse forças para corromper as barreiras da ignorância e das contradições, que lhe direcionasse a um sentido.
Um iniciante não portava estas características.
Sua força de vontade e determinação impressionavam pablo e ele não mais hesitou e deicidiu ensiná-lo o que havia aprendido: os preceitos básicos com o primeiro pintor e as novas técnicas e toda gratidão encontrada no segundo.
Pablo não procurava enxergá-lo como um pupilo, até mesmo porque ambos possuiam praticamente o mesmo período de existência.
Dessa vez, pablo via-se em uma outra posição.
Sabia (e temia) sua responsabilidade e fazia de um tudo para não equivocar-se.
Seu pupilo era muito esforçado, no início. Como todos são.
Com o tempo, Pablo desapontou-se com a incrível crescente displicência de seu protegido.
Temia ter perdido tanto tempo querendo ensinar algo a uma pessoa que não o queria de dentro.
Pensou ter perdido preciosos momentos de sua vida profissional por algo que não lhe trouxera benefícios.
Aos poucos, assim, Pablo foi mostrando para ele que não era isso que ele queria, ou isso foi ficando mais claro.
Seu pupilo chega a dizer que não se sente preparado para apreender toda a sabedoria de seu mestre, que por ventura não pudesse corresponder às suas expectativas.
Seu pupilo foi-se.
Pablo mais uma vez entendeu, dessa vez, após muito questionar-se sobre sua real responsabilidade acerca desse fato. Teria sido falta sua não ter apresentado-lhe a arte de modo tão prazeroso?
Novamente vinha a sua mente a vontade de não mais pintar. Não deve haver finalidade nenhuma para isso, falava.
Havia perdido muito tempo da sua vida com isso, pensava.
Buscou ponderar suas atitudes,, refletir sobre sua própria obra. Penetrou em seu acervo pessoal, entrando numa verdadeira espécie de auto-estudo de si mesmo.
De repente, seus olhos brilham.
Percebe o quanto havia aprendido com cada um.
Hoje não sabe quando ou se vai mesmo apresentar uma outra obra a algum outro pintor, não preocupa-se com isso, não é o mais importante.
Prefere fazer suas questões tornarem-se parte de seu processo construtivo.
A felicidade que almejava estava no ato de pintar e não na recepção que poderia encontrar.C
Com esse brilho interior, em um misto de esperança e dúvida, Pablo segue pintando seus quadros.
Daquele tipo de pessoa que sabemos que possui um grande potencial mas que por uma razão ou por outra não demonstra tais habilidades.
Ele tinha uma certa habilidade.
Um dom, diriam alguns.
Sua atividade preferida era a de pintar quadros.
Fazia-o desde pequeno e até agora, ao atingir sua maioridade, não os havia mostrado a ninguém.
A ninguém em especial.
Por acreditar que o que fazia não era um ato louvável, às vezes até envergonhava-se ao confirmar o fato se acaso descobrissem suas obras escondidas nos armários obscuros de seu sótão, não saberia o que fazer.
Pablo nunca havia pensado em mostrar sequer uma obra a qualquer pessoa. Nem aquela em que sentia mais confiança. Não que tivesse medo de críticas, certamente não era isso que o incomodava, mas era o medo de se arriscar, do que viria a partir desse momento.
Um dia pensou a respeito da efemeridade de nossas vidas, a respeito de que como estamos de passagem. Relutara muito em aceitar, contudo pensava na possibilidade que havia de ninguém em nenhum momento vir a conhecer suas obras. A conhecê-lo como um todo.
Isso o atordoava, então que descobre meio que sem querer um pintor.
Decidiu mostrar seu primeiro quadro a ele, e ainda que este tenha pintado alguns quadros, possivelmente não era um profissional. O pintor analisou, admitiu que as suas obras eram de fato especiais, que ele era um pintor especial, entretanto sentia que não estava preparado para retornar a ele com o que precisava. Ainda assim, pediu que ele não desistisse.
Pablo temia ser incompreendido, se é que deveria haver alguma razão em suas expressões subjetivas.
Pablo não desistiu. Era apenas a primeira tentativa.
Embora às vezes o desânimo viesse subitamente tentar lhe fazer esmorecer, estufou o peito e decidiu levar outro quadro para um outro artista.
Quem sabe o problema estava não nas suas habilidades questionáveis, mas na obra apresentada primeiramente. Ainda que admirasse a obra do primeiro pintor, era apenas a única referência que havia conhecido até então.
Em um local inusitado, por mera obra do destino ou sabe-se lá por que motivo, conheceu um segundo artista.
Esse, segundo constava, já demonstrava possuir uma vasta experiência no campo das artes.
Pablo, dessa vez, não hesitou em mostrar-lhe um de seus quadros. Era a chance que tanto ansiava, pensava.
O pintor também não hesitou e avaliou sua obra.
Deu dicas e sugestões que Pablo nunca havia pensado.
Novas técnicas, novos ensinamentos. Sabedoria.
As trocas tornaram-se cada vez mais intensas e então, devido a uma viagem profissional, o artista teve de viajar para dedicar-se as suas próprias obras.
Em um primeiro momento, prometeram corresponderem-se sempre. Não foi o que aconteceu ou o sempre acabou.
pablo, no entanto, compreendeu. Mesmo porque nunca havia conhecido uma alma tão bondosa, que doasse mais que recebesse, que na verdade nem se importava com as vantagens que poderia obter nesta relação.
pablo começava a julgar que seu destino havia se selado: Pintar somente para si. Afinal, haveria um crítico ou entendedor de suas obras melhor que si mesmo?
Pintou, pintou, e não conseguia concluir nenhum processo criativo. Pensava em desistir. Talvez seu futuro não estivesse realmente ligado a oportunidades de pintar quadros. Não mais acreditava em seu talento e no que poderia concretizar.
Passou praticamente um ano sem concluir uma única obra. Vivia de seu acervo. Acervo que o refletia.
Queria inclusive deixar de pintar e seguir outros caminhos porém lá dentro sabia que ainda pulsava uma força, sentia que havia uma missão ainda a ser cumprida.
Assim, não mais que de repente, Pablo encontra um velho amigo. Talvez aquele que um dia tivesse cogitado mostrar-lhe seu particular acervo.
Como ele, o velho amigo também tinha a habilidade de pintar, descoberta recentemente.
Pablo, dessa vez, hesitou.
Refletia sobre o que poderia ganhar ensinando os básicos preceitos desta arte a alguém que não sabia o que nisso consistia.
Pintar, para Pablo, era mais que um simples ato de expressão de seus sentimentos, era sua vida. Respondia que etsava morto quando não pintava.
Queria encontrar alguém que lhe impulsionasse, que lhe desse forças para corromper as barreiras da ignorância e das contradições, que lhe direcionasse a um sentido.
Um iniciante não portava estas características.
Sua força de vontade e determinação impressionavam pablo e ele não mais hesitou e deicidiu ensiná-lo o que havia aprendido: os preceitos básicos com o primeiro pintor e as novas técnicas e toda gratidão encontrada no segundo.
Pablo não procurava enxergá-lo como um pupilo, até mesmo porque ambos possuiam praticamente o mesmo período de existência.
Dessa vez, pablo via-se em uma outra posição.
Sabia (e temia) sua responsabilidade e fazia de um tudo para não equivocar-se.
Seu pupilo era muito esforçado, no início. Como todos são.
Com o tempo, Pablo desapontou-se com a incrível crescente displicência de seu protegido.
Temia ter perdido tanto tempo querendo ensinar algo a uma pessoa que não o queria de dentro.
Pensou ter perdido preciosos momentos de sua vida profissional por algo que não lhe trouxera benefícios.
Aos poucos, assim, Pablo foi mostrando para ele que não era isso que ele queria, ou isso foi ficando mais claro.
Seu pupilo chega a dizer que não se sente preparado para apreender toda a sabedoria de seu mestre, que por ventura não pudesse corresponder às suas expectativas.
Seu pupilo foi-se.
Pablo mais uma vez entendeu, dessa vez, após muito questionar-se sobre sua real responsabilidade acerca desse fato. Teria sido falta sua não ter apresentado-lhe a arte de modo tão prazeroso?
Novamente vinha a sua mente a vontade de não mais pintar. Não deve haver finalidade nenhuma para isso, falava.
Havia perdido muito tempo da sua vida com isso, pensava.
Buscou ponderar suas atitudes,, refletir sobre sua própria obra. Penetrou em seu acervo pessoal, entrando numa verdadeira espécie de auto-estudo de si mesmo.
De repente, seus olhos brilham.
Percebe o quanto havia aprendido com cada um.
Hoje não sabe quando ou se vai mesmo apresentar uma outra obra a algum outro pintor, não preocupa-se com isso, não é o mais importante.
Prefere fazer suas questões tornarem-se parte de seu processo construtivo.
A felicidade que almejava estava no ato de pintar e não na recepção que poderia encontrar.C
Com esse brilho interior, em um misto de esperança e dúvida, Pablo segue pintando seus quadros.
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