MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas festas da Vida!

Hoje mais cedo, ao ir ao centro da cidade onde moro, me deparei
com um monte de pessoas em um entrar e sair desenfreado das
lojas, um movimento totalmente incomum para uma simples
quarta-feira.

Foi quando me deparei com o meu calendário e percebi que estava
precisamente na véspera de Natal, onde é costume na maioria dos
povos ocidentais reunir a família e realizar uma ceia para
comemorar o nascimento de Jesus Cristo.

Esse motivo, é claro, não deve ser o que leva as pessoas a
consumir mais do que deveriam. Crise? Que nada!!! Todos pensam
em gastar, gastar e gastar.Mas será que é somente isso que as impulsiona?

Parei para pensar e refletir na minha própria vida para chegar
a uma conclusão do que esta data representa na prática do meu
cotidiano mesmo e assim acho que passo a entender um pouco mais
as pessoas.

Para nós, o nascimento é de Jesus, mas quem ganha presentes,
ouvi dizer uma vez em um desses discursos de igrejas de ordem
protestante, é o próprio Homem.Talvez porque a maioria das pessoas encara essa data como o seu próprio nascimento, ou melhor, um renascimento. Mais do que seu
próprio aniversário, o Natal e porque não o Ano novo,
configuram-se em um aniversário comunitário, onde todos
reúnem-se, celebrando na verdade o dom da vida. Não é raro
encontrar desejos de felicidades mútuos descritos em cartões,
em pensamentos, em palavras o que confirma essa afirmação.

O ano novo que se incia traz consigo toda uma ideologia. Creio
que é a representação de mais uma chance dada pela providência
para que nós, humanos, sejamos felizes. Um tempo de reflexão
para pensar sobre os feitos do ano que correu e de projetar,
mesmo que exageradamente, novos rumos para a nossa vida em
direção à felicidade tão almejada.

Certamente, aquelas pessoas das lojas a que me referi no
início, possivelmente acreditam que sua renovação e felicidade
estão diretamente ligados ao plano material do indivíduo. Ledo
engano, o nascimento requer algo muito mais profundo do que uma
repaginada no visual e no guarda-roupa.

Portanto, refaça-se neste fim(início) de ano. Aproveite este
momento de transição para, de fato, recarregar as baterias, vir
a zero bala para este novo desafio que ora se apresenta. As
batalhas certamente serão muitas, mas tenha certeza que é isso
que nos faz crescer.

Tente levar consigo este espírito natalino, de nascimento
constante, de renovação. Quando tudo estiver dando errado,
permita-se nascer de novo, resetar-se para adquiri mais uma
chance com aquele ou aquilo em que você acredita.

Que o espírito de amor mútuo e de compaixão se perpetue pelos
seus, pelos meus e pelos nossos e que nossos corações e mentes
se renovem diante dos preconceitos, dos defeitos e das
qualidades que trazemos conosco. Que consigamos buscar a nossa
paz interior tão desejada para assim sentimo-nos capaz de
alcançar a paz coletiva.

Que seja um tempo de renascimento para uma nova vida repleta de
alegria e realizações. Que a estrada seja longa, pois o final
todos sabemos como é embora sejamos nós mesmos os arquitetos
dessa jornada.

A vida é da forma que queremos a enxergar.

Sejam Felizes. São meus sinceros votos de fim de ano.

sábado, 22 de novembro de 2008

Ter você...

Ter você é meu erro sincero
Minha mentira desbravada
Minha própria conduta
Minha presa liberdade
Meu eterno efêmero
Minha incessante busca
Minha paz caótica
Lateja aqui dentro
uma dor
uma cor
um som
que expira no espaço
e deixa que mostre ao que veio
ao que sou
Com você
Assim
Aqui
Dentro de Mim.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Frases soltas II

A todo momento tu crias as mentiras que vais representar.

A cada dia me convenço mais que eu era a melhor das suas escolhas.

O contrário do amor é a morte.

Gosto do desgosto profundo de não ter um beijo a que recorrer,
O que me permeia é o desejo de ter o que eu não quero e o medo de não poder querer.

A vida segue um curso intermitente.

Dita os dias que a minha hora vai passar.

Sem pressa, vou a algum lugar.

O vazio que me destrói é o mesmo, vazio do esmo no não-fazer.
Vazio que me dá aos domingos, loucura perdida do que devo querer.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

VII Concurso Municipal do Conto de Niterói

Pessoal, os frutos detse blog já estão começando a aparecer. Não havia divulgado a quase nignuém, mas tinha inscrito o conto "Magali Lá Só" no Concurso Municipal do Conto de Niterói como um teste da minha habilidade mais recém-descoberta.

E hoje fico sabendo que estou entre os dez finalistas e a entrega da premiação será dia 27 de Novembro às 18 horas no Solar do Jambeiro em Niterói.

Será que consigo trazer esse prêmio?

Vamos torcer!!!

Obrigado a todos que me despertaram e me incentivaram a escrever. Não acabará por aí!!!

Link: http://www.culturaniteroi.com.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2314&mode=thread&order=0&thold=0

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A espera não espera

A espera não espera, não.
A espera não te espera.
A espera não me espera.
A espera não espera, não.

A espera da vida
à espera da morte
à espera da sorte
A espera é espera.

A espera é a estrada
A espera é a escada
A espera é só espera
A espera não me espera, não.

Frases soltas

Não apaixone-se. O coração foi feito para bombear o sangue.

Nasci só e sei que só morrerei, o que justifica a obrigação de ter alguém?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eterno

Está tudo tão distante
Tudo empilhado, guardado nos confins do meu eu
Desse meu tenaz apreço pelo conhecimento
Pelo devir
Pelo sonho
Pelo desejo
Alargado por esperanças frequentemente reiventadas
Por criações temerosas que faço de mim mesmo.
Por desventuras realizadas por uma de minhas faces
Ocultas
Públicas
Omitidas
verdades
Receio o novo
Ataco o velho
Encontro-me no verdadeiro contemplar
Destituído do meu consciente
Onipresente
Onipotente
Equidistante
Hecatombe de mim
Abrigo-me em explicações alheias
Inerentes
Incoerentes
Instransigentes Verdades
Incontestáveis mentiras
Mutações proferidas
Mudanças radicais
Efêmeras
Lentas
Processos graduais
Rumo ao nada ou
à Evolução
à transgressão
ao começo
de novo...
novamente.
Aprender
Apreender
Descobrir
Re-sentir
ressentir
Viver
dar significado para o que não existe
para o que não tem corpo
para o que está em nós
para o que não é fato consumado
Pára, o que?
Disse?
Sei...
Viu?
Já começou tudo outra vez...

Jorge Braga Jr.
escrito em 4/06/2008

domingo, 25 de maio de 2008

Desabafo

*Não é um poema, não é uma prosa...não há pretensão de nada. É apenas um desabafo feito há algum tempo atrás...diretamente do baú...

Eu tô aqui agora, ouvindo uma música.
Pensando numa pessoa que eu não deveria estar pensando.
Por que o amor faz isso com a gente?
É uma coisa que eu não consigo entender.
Amar passou a ser um castigo e não uma dádiva de Deus.
Eu não consigo suportar ficar ao seu lado sem te ter.
È uma punição muito grande pra mim, por isso embora eu te ame tanto, e
queria resguardar ao menos nossa amizade, eu vou procurar me afastar o
máximo que puder, te anular da minha vida. É algo que vai ser muito difícil, mas vou ter de fazer, será melhor assim.
O que mais me incomoda, é que as pessoas ao meu redor não me entendem, e
eu não posso demonstrar o que sinto.
É um sofrimento velado que eu tenho que passar.
Ás vezes eu me pergunto porque fui deixar isso acontecer, quando eu que
tinha as rédeas dessa relação.
Eu te amo tanto, não consigo entender até hoje como um sentimento pode
acabar assim, se é que o que você sentiu, ou dizia sentir, era realmente amor. Não tem como eu eu saber disso, mas acredito que não.
Mas incrivelmente eu te agradeço por ter sido através de você que eu o conheci.
Eu me sinto um idiota em tentar ficar com você novamente, eu sei que é
chato isso, mas como não lutar por algo que queremos tanto?
Tem um momento que a gente cai na real, e é por isso que eu vou me
afastar completamente.
Meu amor é egoísta sim, penso na minha felicidade, mas acredito que posso
te fazer feliz e você com certeza nunca vai encontrar ninguém que te ame
tanto assim.
Essa afirmação pode ser um pouco exagerada, mas eu queria
que você ficasse comigo, só isso.

Em francês

Fiz uma versão em francês traduzida por um site...do meu poema "Intempéries"...

Acho que ficou bacana. Se encontrarem algum erro gramatical, por favor colaborem...

Érosion
Je suis ici dans ma place
Il vient me déranger
Encore il dit que froide et je suis arrêté
Mais c'est lui qui toujours va tourner
Quand je m'habitue avec sa présence
Il me laisse et promet retourner.
Jamais dans le même heure.
Jamais dans la même place.
Chaque fois qu'il va, il prend un morceau de moi.
As fois, agit avec violence et furie, me fait s'écrouler.
Il apparente calme, mais garde dans elle innombrables tempêtes.
J'essaye de le contenir, J'agis en vain.
Il m'envahit et il me détruit avec son action.
Il n'y a pas ce qui fera
Celui-là est notre nature
Il n'y a pas ce qui changera
Je suis une dure roche de la plage
Il est la vaste et immense mer.


Jorgé Brragha Juniôr...

Traição

* texto escrito há alguns anos atrás, a princípio com a finalidade de ser uma música.

A ingratidão fere a minha alma
Sentir a adaga cravada de um traidor
Me deixa triste por amar a quem não me dá valor
É triste pensar assim
Egoísmo, individualismo não tem lugar
Prefiro resignar
Transformar o mau sentimento em lição para me melhorar
Trabalhar isso aqui dentro
Tentar mudar
Não fazer o mesmo que alguém que acabo de criticar.
É triste pensar assim
a raiva vem à tona
Mas não há outra forma além de aceitar.
Chore se sentir vontade
Porque pra sempre na eternidade
Alguém você vai encontrar
Você fica mal porque não queria estar se sentindo assim..
Sabe que é ridiculo se sentir assim,
Mas não consegue parar de se sentir assim
Parta pra vingança dirão alguns que sentem isso aflorar
Isso pra você não vai adiantar
Já ouviu aquela história
Vai colher aquilo que plantar
Tente rir da situação
É complicado, então...
Reaja amando...
Use a arma que você tem...
O coração.

Jorge Braga Jr.

MÚLTIPLO EU

Tenho essa velha e chata e estranha mania de me culpar
De querer carregar o mundo nas costas
e toda a sofreguidão humana
As escolhas não partiram de mim
E só a mim, coube aceitar
Vou cumprir este papel
Neste enredo que não queria estar
Porque não ouvi quando minha intuição queria falar?
O coração diz uma coisa...
a razão outra...
a intuição divaga entre as teorias...
Será que sou normal?
Com essa minha velha e chata e estranha mania
de que tudo vai dar certo no final
Isso que me mantém vivo.

Jorge Braga Jr.

domingo, 11 de maio de 2008

Dia das mães

Por que é sempre difícil escrever sobre a nossa mãe?

Porque é difícil não chorar quando pensamos nos bons momentos juntos, nas horas de brigas às vezes (dez)necessárias, nas picuinhas pessoais que temos entre nós...naturais entre mãe e filho...sabemos que no fundo você nos quer bem...e entendemos o seu lado...Afinal, você é humana como nós, mas carrega em si a diferença de se sentir responsável por nossas vidas...

A verdade é que a gente cresce, e achamos, mãe...que nosso sentimento caminha em igual proporção...A medida que ficamos mais velhos, ficamos mais gratos pelo dom da vida que nos concedeu...não somente aquele do nascimento, mas também o do dia a dia... a força para vencermos nossa batalha cotidiana, para nos amparar quando preciso, para nos facilitar nos dias difíceis...aquele toque a cobrar esperando o retorno que vai nos salvar, a roupa lavada apesar da falta de tempo e o excesso de trabalho...O olhar de compreensão e a preocupação às vezes exagerada...o melodrama comum de toda mãe...

Porque é difícil agradecer e não pedir desculpas por tudo que talvez tenhamos feito de errado, pelas caras feias, pelas palavras atravessadas, pelos momentos de desequilíbrio nosso que por um motivo ou por outro acabamos descontando na pessoa que mais nos ajuda ultimamente. Saiba mãe, que também somos humanos...e esse, achamos, é o nosso grande mal e nosso grande bem...pois podemos compartilhar desse dia e tratá-lo como algo especial...mesmo sabendo que dia das mães é todo dia...

Bem, essa foi a forma que encontramos pra te dizer sobre o quanto você foi, é e tem sido importante nas nossas vidas..Talvez fosse mais fácil apelar para as frases feitas e simplesmente copiar da internet, mas não, mãe.Optamos por tentar descrever o que sentimos por você.É uma tarefa difícil,como viu, porque as palavras não abarcam todo o nosso sentimento...

Sabemos "que momentos difíceis virão e que servem para aperfeiçoar o aprendiz" e que na vida todos somos aprendizes...que na vida tudo é passageiro, a não ser o cobrador e o motorista...e falando nisso, deixa aquele dinheiro da passagem pra amanhã.

Feliz Dia das Mães!!!

Mamãeama....

Hoje

Hoje
Ele já não chora mais
Aprendeu a ler os códigos do mundo
Compreende as pessoas
A efemeridade das coisas
Da nossa pequenitude vil e abstrata
à nossa grandeza frágil e sensata
O que virá ainda não sabe
mas que venha!
Isso o deixa esperançoso
Estará de braços abertos,
pois gostado ser humano
da sua complexidade
Confessa ser ruim passar pelo ego
Difícil tarefa
Mas necessária
Lembra...
com carinho de tudo
Pois para tudo há uma solução
A não ser para a morte
Sugerem alguns
Sente que
Nada será como antes
Nunca é.

Jorge Braga Jr.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Joio, Trigo e perdão

Aceitei sim as suas desculpas
porque olhei em seus olhos e acrediteique tudo que dizia era verdade.
Havia entendido que não é deixando nosso orgulho aflorar
que encontraria a tal da felicidade.
Você, na verdade, havia mentido
Logo eu descobri
Agora como separar
O que era joio e o que era trigona colheita das suas palavras?
Era o que me fazia perguntar
Onde agora você deveria estar?
Neste meu mundo de conceitos e definições
Parece que hoje, de certa forma,quero te apagar da minha memória
Não quero te enxergar no fracasso que você pode representar
no meu contexto contraditório de emoções
Há diferença no que senti e falei
e isso depende do momento em que me encontrei
Não sou a pessoa perfeita,
Só queria te falarque dentro de mim ainda não consegui te ressignificar
Encontrar um novo sentido,
desvendar quem você realmente era ou é,
te reencontrar.
Descobri que eu ainda não sei perdoar.

Jorge Braga Jr.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Provas

Viver para você é contradição
Quanto mais eu fujo, mas te tenho na minha mão.
È como viver esperando o fim
Quanto mais me entrego,
Mais me arrependo...
Estou em um rio que me leva a uma corredeira, e lá o que haverá?
Além de você e de mim
o que será daquilo que construímos?
Daquilo que vivemos.
o que buscamos?
Me encontro em você
Você em mim.
Não quero viver pensando no fim.
o decorrer é muito melhor.
Nos amamos, Nos queremos ou é algo apenas satisfatório.
o que importa é que somos um, apenas um.
Ao menos enquanto me beija,
Enquanto me abraça
Enquanto me faz.
Sentir quem sou.
É no encontro com você que me descubro.
Me desviro, te desviro.
Assim nos redescobrimos.
Sou mais humano perto de você.
Mais fiel e leal quando penso em você.
Onde isso vai?
Não dá pra voltar atrás
Já me ganhou
Ou me derrotou.
o que quer mais?
Eu sei que eu também quero ir
Aonde você for, eu vou
Sair, fugir, correr,me esconder
É já o que faço se eu não te tenho aqui.

Jorge Braga Jr.

Intempéries

Estou aqui no meu lugar
Ele vem me perturbar
Ainda diz que sou fria e parada
Mas é ele que sempre vai voltar
Quando me acostumo com a sua presença
Me deixa e promete retornar.
Nunca na mesma hora.
Nunca no mesmo lugar.
Sempre que vai, leva um pedaço de mim.
Ás vezes, age com violência e fúria, me faz ruir.
Ele aparenta calma,mas guarda em si inúmeras tempestades.
Tento contê-lo,
Ajo em vão.
Ele me invade e me destrói com sua ação.
Não há o que fazer
Essa é a nossa natureza
Não há o que mudar
Eu sou uma dura rocha da praia
Ele é o vasto e imenso mar.

Jorge Braga Jr.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Quero muito tudo isso...

Quero
gargalhar com Fernanda,
Afogar-me com Clarice,
Chorar junto ao Caio,
Sentir como ele sentisse,
Ter você bem mais que perto, Ana
Saber que ela me ama
Te levar pra cama, madonna
Te dar prazer

Quero
Desejar boa sorte a Vanessa
Não deixar-te só
Ser romântico tal o Lee
Ver com a Lee o que há entre o sexo e o amor, Jabor
Renascer com a fênix de meu xará Jorge
Reconhecer-me no santo guerreiro
Descobrir que não tenho medo
Tentar não dissimular e disfarçar e esconder...

Quero
Inventar uma nova paixão marrom
Saber viver
Aprender com a vida
Aproveitar cada minuto antes disso tudo uma tragédia virar
Fingir e sair na noitada
De rir, me acabar
Não só dinheiro
Amar...

Papo reto: poesia idem

Papo reto: poesia idem

Você diz que te pedi demais
Mas o seu demais, fui saber, ainda era pouco
Talvez apenas o essencial para que eu me alimentasse
porque sei que se não te amasse
Eu faria pesadelos de você dentro de mim
Não pense que eu seja fraco
(Não se engane)
Como você eu também soube representar
Assim sentia-se forte (você/eu)
A melhor forma de conhecer alguém é conferindo-lhe poder
E nesse teste você não passou
Como em tantos outros
Ao olhar pra trás fico tranquilo
Enquanto anda perdido
Sei bem meu caminho
A um lugar que sei onde quero estar
Deixei admiradores
E você?
(Dissabores?)
Carisma não é sinônimo de caráter
E te digo mais,
Precisas trabalhar
Não é se escondendo atrás de falsas fés renovadoras (que você vai se achar...)
Tem a astúcia e a malícia de fazer com que as coisas fiquem leves pra você
É a forma que encara
De coitado
sabe bem...
Preciso falar mais?
Quem cala consente
E você já não engana mais ninguém
O que vivemos pode ter sido uma grande mentira
Mas não fui eu quem criou circos e fantasias
Se está assustado com o teor dessa poesia
Essa foi a maneira que achei pra te dizer
Que seu dom é desapontar as pessoas
e o meu é o de não esquecer.

domingo, 13 de abril de 2008

Armário

Abriu os olhos e percebeu que de repente estava ali.
Confessava para si mesmo que era um lugar que não queria estar, mas sabia que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer.
Parecia que já estava predestinado. Por isso, acreditava em instinto, intuição.
Não deu outra, só foi se distrair e lá acordar.
Está há algum tempo nesse lugar.
Não consegue mais sair.
Tem medo do que pode haver lá fora.
É ruim viver ali, é apertado, sujo e quente.
Só o fato de temer o que pode acontecer ao sair, o deixa inerte nessa situação.
Pensa: Será que mudar de tática agora não é uma opção mais interessante?
E lá se vão alguns anos.
Uma nova mudança de pensamento, minutos, horas.
E nenhuma decisão.
Perguntava-se: Aqui ainda posso encontrar palavras de afeto, e o que será dali em diante?Consigo carrega mágoas, acontecimentos guardados no fundo do peito que batem como estacas imprecisas e oportunas.
Sair pode parecer uma opção perigosa, entretanto pode ser uma esperança de liberdade.
Esse "pode ser" o incomoda.
Queria ter a certeza das coisas, dominar a razão e colocar sua emoção em um local onde pudesse ser completamente controlada.
Só o momento da decisão bastava para que ficasse confuso.
Não sabia o que fazer diante daquela situação.
Sair ou ficar era uma questão que realmente o fazia sofrer.
Os relógios corriam.
O momento da escolha, tão esperado por ele e que somente ele detinha o poder de criar, estava chegando.
Não que houvesse alguma fonte externa de estímulo para suas ações, mas buscava sempre ser o mais coerente possível com o seu querer, com a sua essência.
Ela ansiava pela liberdade, pois viver em um molde aparentemente perfeito o deixava inteiramente louco.
Questionava-se a respeito desse mundo perverso.Não queria viver nessa forma imposta, pré-fabricada.
Não queria viver um personagem afim de agradar a diversos autores.
Queria ser ele mesmo o autor de sua própria história: sua vida.
Quanta diferença há entre o querer e o poder, o pensar e o realizar!
Neste meio há tantos nuances, tantas emoções totalmente inenarráveis.
Sentia-se mal com isso, pois era de seu costume categorizar os sentimentos como quem categoriza elementos químicos ou qualquer outra matéria.
Parecia desistir de pensar pois constatou que esse processo demandava muitas de suas energias.
Mudava de estratégia.
Abria e fechava os olhos.
O sono não viera.
A porta finalmente se abrira.
Quem vinha?

Pablo e seus quadros

Pablo era um menino sem brilho. Era o que diziam.
Daquele tipo de pessoa que sabemos que possui um grande potencial mas que por uma razão ou por outra não demonstra tais habilidades.
Ele tinha uma certa habilidade.
Um dom, diriam alguns.
Sua atividade preferida era a de pintar quadros.
Fazia-o desde pequeno e até agora, ao atingir sua maioridade, não os havia mostrado a ninguém.
A ninguém em especial.
Por acreditar que o que fazia não era um ato louvável, às vezes até envergonhava-se ao confirmar o fato se acaso descobrissem suas obras escondidas nos armários obscuros de seu sótão, não saberia o que fazer.
Pablo nunca havia pensado em mostrar sequer uma obra a qualquer pessoa. Nem aquela em que sentia mais confiança. Não que tivesse medo de críticas, certamente não era isso que o incomodava, mas era o medo de se arriscar, do que viria a partir desse momento.
Um dia pensou a respeito da efemeridade de nossas vidas, a respeito de que como estamos de passagem. Relutara muito em aceitar, contudo pensava na possibilidade que havia de ninguém em nenhum momento vir a conhecer suas obras. A conhecê-lo como um todo.
Isso o atordoava, então que descobre meio que sem querer um pintor.
Decidiu mostrar seu primeiro quadro a ele, e ainda que este tenha pintado alguns quadros, possivelmente não era um profissional. O pintor analisou, admitiu que as suas obras eram de fato especiais, que ele era um pintor especial, entretanto sentia que não estava preparado para retornar a ele com o que precisava. Ainda assim, pediu que ele não desistisse.
Pablo temia ser incompreendido, se é que deveria haver alguma razão em suas expressões subjetivas.
Pablo não desistiu. Era apenas a primeira tentativa.
Embora às vezes o desânimo viesse subitamente tentar lhe fazer esmorecer, estufou o peito e decidiu levar outro quadro para um outro artista.
Quem sabe o problema estava não nas suas habilidades questionáveis, mas na obra apresentada primeiramente. Ainda que admirasse a obra do primeiro pintor, era apenas a única referência que havia conhecido até então.
Em um local inusitado, por mera obra do destino ou sabe-se lá por que motivo, conheceu um segundo artista.
Esse, segundo constava, já demonstrava possuir uma vasta experiência no campo das artes.
Pablo, dessa vez, não hesitou em mostrar-lhe um de seus quadros. Era a chance que tanto ansiava, pensava.
O pintor também não hesitou e avaliou sua obra.
Deu dicas e sugestões que Pablo nunca havia pensado.
Novas técnicas, novos ensinamentos. Sabedoria.
As trocas tornaram-se cada vez mais intensas e então, devido a uma viagem profissional, o artista teve de viajar para dedicar-se as suas próprias obras.
Em um primeiro momento, prometeram corresponderem-se sempre. Não foi o que aconteceu ou o sempre acabou.
pablo, no entanto, compreendeu. Mesmo porque nunca havia conhecido uma alma tão bondosa, que doasse mais que recebesse, que na verdade nem se importava com as vantagens que poderia obter nesta relação.
pablo começava a julgar que seu destino havia se selado: Pintar somente para si. Afinal, haveria um crítico ou entendedor de suas obras melhor que si mesmo?
Pintou, pintou, e não conseguia concluir nenhum processo criativo. Pensava em desistir. Talvez seu futuro não estivesse realmente ligado a oportunidades de pintar quadros. Não mais acreditava em seu talento e no que poderia concretizar.
Passou praticamente um ano sem concluir uma única obra. Vivia de seu acervo. Acervo que o refletia.
Queria inclusive deixar de pintar e seguir outros caminhos porém lá dentro sabia que ainda pulsava uma força, sentia que havia uma missão ainda a ser cumprida.
Assim, não mais que de repente, Pablo encontra um velho amigo. Talvez aquele que um dia tivesse cogitado mostrar-lhe seu particular acervo.
Como ele, o velho amigo também tinha a habilidade de pintar, descoberta recentemente.
Pablo, dessa vez, hesitou.
Refletia sobre o que poderia ganhar ensinando os básicos preceitos desta arte a alguém que não sabia o que nisso consistia.
Pintar, para Pablo, era mais que um simples ato de expressão de seus sentimentos, era sua vida. Respondia que etsava morto quando não pintava.
Queria encontrar alguém que lhe impulsionasse, que lhe desse forças para corromper as barreiras da ignorância e das contradições, que lhe direcionasse a um sentido.
Um iniciante não portava estas características.
Sua força de vontade e determinação impressionavam pablo e ele não mais hesitou e deicidiu ensiná-lo o que havia aprendido: os preceitos básicos com o primeiro pintor e as novas técnicas e toda gratidão encontrada no segundo.
Pablo não procurava enxergá-lo como um pupilo, até mesmo porque ambos possuiam praticamente o mesmo período de existência.
Dessa vez, pablo via-se em uma outra posição.
Sabia (e temia) sua responsabilidade e fazia de um tudo para não equivocar-se.
Seu pupilo era muito esforçado, no início. Como todos são.
Com o tempo, Pablo desapontou-se com a incrível crescente displicência de seu protegido.
Temia ter perdido tanto tempo querendo ensinar algo a uma pessoa que não o queria de dentro.
Pensou ter perdido preciosos momentos de sua vida profissional por algo que não lhe trouxera benefícios.
Aos poucos, assim, Pablo foi mostrando para ele que não era isso que ele queria, ou isso foi ficando mais claro.
Seu pupilo chega a dizer que não se sente preparado para apreender toda a sabedoria de seu mestre, que por ventura não pudesse corresponder às suas expectativas.
Seu pupilo foi-se.
Pablo mais uma vez entendeu, dessa vez, após muito questionar-se sobre sua real responsabilidade acerca desse fato. Teria sido falta sua não ter apresentado-lhe a arte de modo tão prazeroso?
Novamente vinha a sua mente a vontade de não mais pintar. Não deve haver finalidade nenhuma para isso, falava.
Havia perdido muito tempo da sua vida com isso, pensava.
Buscou ponderar suas atitudes,, refletir sobre sua própria obra. Penetrou em seu acervo pessoal, entrando numa verdadeira espécie de auto-estudo de si mesmo.
De repente, seus olhos brilham.
Percebe o quanto havia aprendido com cada um.
Hoje não sabe quando ou se vai mesmo apresentar uma outra obra a algum outro pintor, não preocupa-se com isso, não é o mais importante.
Prefere fazer suas questões tornarem-se parte de seu processo construtivo.
A felicidade que almejava estava no ato de pintar e não na recepção que poderia encontrar.C
Com esse brilho interior, em um misto de esperança e dúvida, Pablo segue pintando seus quadros.

domingo, 30 de março de 2008

Felicidade

A felicidade é como o sol, aparece para todos mas em determinados momentos. Enquanto é sol para alguns, escuridão para outros. Mas isso passa. Para o planeta questão de horas, e pra você?

A Felicidade é como o sol e a Terra. O Sol brilha para todos, mas em períodos diferentes. Enquanto uma parte recebe seu calor, a outra se encontra na face da escuridão.

O porque da pretensão

Finalmente cedi às tentações do espírito...Como assim? Cedi à tentação de escrever para que pessoas me leiam...ou melhor leiam as minhas palavras...os meus pensamentos...Senti a necessidade de exprimir por aqui as coisas que me questiono, os pensamentos malucos que me rodeiam...que acho que assim ficarei mais são...Acreditem ou não, escrever pra mim é como uma teoria...Mas não procuro ser pragmático ao fazê-lo...gosto de deixar fluir minha mente, deixar que ela fale, que comande meus dedos, que o utilize como mero instrumento de suas sandices...a seu bel-prazer...Curto escrever ...acho que tenho até um certo talento pra isso....(modéstia, hein?)...mas não admitia..hoje cedi...Quero saber, através deste meio louco, se há mais loucos assim como eu....Gosto de escrever textos, poesias, canções, peças, tudo que me vier....e não costumo corrigir as coisas que falo...ou melhor escrevo...acho que a verdadeira arte é assim...às vezes...instintiva...que com o tempo vamos descobrir a racionalidade por trás daquela subjetividade aparente...Também não vou me preocupar e ler meus textos para ver se tem concordância.Não vou ficar me remoendo por não ter dito aquilo que eu quis dizer, ou do que deveria ter dito de outra maneira. Nem me preocupar com 'críticos".Como diz seu próprio título... estarei sempre "desdizendo" aquilo que disse...será eu mais uma vítima da contradição humana?Também vou fazer críticas às coisas que vejo, sempre expondo meu modo de ler o mundo...Espero que consiga me satisfazer com isso...mas se já tiver um outro louco que o leia e assim se junte a mim na tentativa de mudar o mundo...estarei feliz...

Jorge Braga Jr.

OBS: Texto escrito há algum tempo atrás como iniciativa para a recriação do blog.

domingo, 23 de março de 2008

Já que não tenho escolha

Ao contrário de ti, eu não quero te esquecer
Porque te esquecer é me esquecer enquanto vivo, enquanto completo.
É me trair, é ser infiel ao que sinto, à missa essência..
Vou me encarregar de deixar que as coisas aconteçam no seu devido lugar
E se você vai estar?
Sei lá....
Não quero nem pensar
Em hipóteses, teorias
Se elas não explicam o que se passa com a gente
Nem de perto aplicarão seus conhecimentos ao que isso sucede
Peço que não me esqueça
Mas acho que pode ser isso pedir demais
Se puder, coloque-me num lugar especial
Na sua estante mais próxima
Onde possa visitar de vez em quando
Mesmo que não demore
É lá que eu gostaria de estar...
Já que não tenho escolha...

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Garoto

Não conseguia mais esquecer aquele garoto.
Sua imagem não saia da sua cabeça.
Estava em tudo o que pensava, naquilo que escrevia e também no que se alimentava.
Tentava dormir mas seus pensamentos lhe causavam um turbilhão que impedia que qualquer calmaria se aproximasse.
Seus dias eram intensamente ocupados por suas atividades, mas durante sua trajetória era impossível não pensar nele.
Impossível não pensar no seu sorriso, no seu jeito meigo, nas coisas que havia lhe dito e principalmente nas coisas que queria lhe dizer.
Ensaiava exaustivamente até o tão esperado momento do encontro.
Esse momento nunca chegava.
Isso causava ansiedade.
Seu corpo começava a sentir os efeitos. Já não vinha mais a vontade de comer e nem de fazer as necessidades fisiológicas.
Além do corpo, sua mente sempre se dividia. Parte de seu interior queria ir buscá-lo, a outra preferia aguardar e esperar seu contato. Não queria que fosse algo forçado, ansiava pelo natural.O natural não acontecia.
Aquela situação causava-lhe imensa dor.Dor que de certa forma lhe fazia bem. Se sentia vivo, porém fraco.
Não achava mais graça nas aulas e nas brincadeiras das pessoas. Achava ridículo pensar assim. Sempre imaginou que nunca teria que passar por isso. Afinal, sempre costumava controlar seus sentimentos.
Até então.
Dias se passavam, o encontro não acontecia.
A vida continuou a mesma.
As atividades se intensificavam e sentia-se mais feliz a medida que ia conhecendo cada nova sensação que antes julgava preterir.
A beleza das coisas ia aos poucos retomando o seu lugar.
Tudo voltava ao normal.
Ao seu normal.
Certa tarde o encontro finalmente aconteceu.
Já não era mais aquilo que esperava.
Mas ao contrário das suas expectativas, alegrou-se.
Sua forma física parecia a mesma e através dela podia enxergar seu interior e o quão intensamente havia mudado.
Tudo realmente havia mudado.
Não fosse o medo de olhar-se no espelho.

Jorge Braga Jr.

terça-feira, 18 de março de 2008

Magali Lá Só

Desde pequena Magali gostava de brincar sozinha.
Dizia em sua tenra inocência que evitava o contato, pois as outras crianças gostavam de perturbá-la.
Nas reuniões de famílias, encontros de amigos e outros eventos que, por ventura, pudessem reunir crianças de sua mesma faixa etária, Magali sempre estava sozinha.
Sua mãe preocupava-se com sua solidão, mas Magali mesma nem sequer se percebia só.
Talvez fosse.
Chamava a atenção pelo seu porte, sua delicadeza e seu carisma inconfundível.
Embora não fosse uma criança sociável a outras, gostava de se sentir a mais querida para os adultos.
Esse tempo foi passando e Magali chegou à adolescência sempre muito popular nos lugares que freqüentava. Ela, na verdade, não tinha verdadeiros amigos. Somente pessoas que admiravam sua beleza, bom-humor e sua personalidade. As relações que costumava construir eram as mais superficiais possíveis.
Magali não tinha crise sentimental, não trazia consigo dúvidas existenciais, era perfeitamente segura de si.
Talvez fosse.
Por se encontrar nesta posição tenha se transformado em uma pessoa mais severa com as outras.
Não era raro encontrá-la em momentos de depreciação àqueles que não lhe agradavam.
Nos relacionamentos, Magali era sempre a desejada, a cortejada, mas vivia repetindo o mesmo discurso dizendo que não serviria para ser de ninguém.
Talvez não seja.
Seus namorados enlouqueciam quando eram descartados por um novo pretendente e ela afirmava que eles haviam, de certo, criado expectativas sobre ela e não que ela propositalmente tenha feito algo que os machucasse.
Talvez não tenha.
Para ela, trair a si mesmo é a pior das traições. Por isso, fazia aquilo que tinha vontade sem respeitar os acordos e concessões que havia selado com seus parceiros.No passar dos tempos, muitos beijos e relacionamentos depois, a vontade que muitos tinham em poder tocá-la e desfrutar de algo com ela foi diminuindo. As pessoas começaram a temê-la por ser vista como uma grande partidora de corações.
A impressão que se tinha era que na realidade Magali não era nada daquilo que buscava e dizia ser. Ela já não era especial. Para muitos, passou a ser sinônimo de dor.
Magali começou a perceber o quanto tinha sido somente ela. O quanto as pessoas também criam imagens suas, de características que ela mesma nunca ousou portar.
Magali percebia que havia na verdade uma essência em si mesma e uma outra construída, por sua culpa ou do que quer que seja.
Magali pensava no que fazer para não ser mais vista sob aquela forma. Aquilo definitivamente não correspondia à sua realidade. Ela não se identificava com as qualidades que a ela eram atribuídas.
Magali amava um homem.
Ele compartilhava da mesma opinião da maioria.
Agora ela se encontrava em um dilema: como provar algo se todas as provas já existentes atestavam contra tudo o que ela dissesse?
Magali estava verdadeiramente só e em uma enrascada.
Não gostava de estar nessa situação, porque sabia que, no fundo, era reflexo de tudo que havia dito e feito.
Temia ser tarde demais.
E talvez fosse.

Jorge Braga Jr.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Prosa que escrevi.

Chorava.
Repudiava os atos humanos quando tentava compreênde-los.
Pensava em desistir da vida, dos relacionamentos em seus mais variados níveis, pois para ele amar os humanos só traz sofrimento, mágoa e dor.
Seu choro era cálido, externo, triste, um misto de consignação e aceitação do seu destino.Pensava em como fazer para encontrar um alguém ideal se tudo que lhe fora apresentado não correspondera às suas expectativas.
Ainda expectativas.
Estava cansado de olhar o mundo ao redor e só enxergar situações coflitantes, traições descabidas e mentiras deslavadas, dor e muita dor.
Queria algo bom.
Não queria fazer parte deste ambiente.
Não se reconhecera em meio a esses jogos.
Não sente-se pronto para enfrentar as agruras deste mundo.
Luta.
Contra tudo e todos.
Não quer sofrer.
Magoar-se, voltar atrás, arrepender-se do que havia dito e feito era o que não queria que acontecesse.
Isso ele não permitia.
Orgulho já não tinha mais.
Engolia-o para poder ter aquilo que desejava.
Chorava e chorava.
Já não mais externamente.
Seu choro era interno, calado, sem forças para ser ouvido.
Havia de haver alguma forma de encontrar sua felicidade.
Questionava-se.
Analisava-se minuciosamente.
Procurava encontrar respostas pra tudo.
E tinha.
Não aceitava.
Sofria.
Era humano.

Jorge Braga Jr.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mais uma vez...nunca é tarde para se tentar...

Bem, esta é a enésima vez que tento iniciar um blog...
Das outras vezes ficava muito complicado prosseguir devido a dificuldade de ter acesso a internet...agora com o veloz em casa, dou graças a modernidade e procurarei ser leal comigo mesmo aqui...seguir com este propósito de escrever...
Escrever pra mim tem sido um prazer, o prazer de não enlouquecer com meus pensamentos restritos à minha cabeça...Não me contento ainda em somente escrever...agora quero postar para que leiam também...não que eu tenha a pretensão de ser vastamente "lido" pela comunidade blogueira, mas quero usar deste artifício para externar um pouco do meu múltiplo eu...
Sou um rapaz de 21 anos, que adora a vida...sinceramente tenho tido um pensamento recorrente de como deve ser deixar de existir...nem digo morrer, porque isso ficaria muito restrito ao ato doloroso, mas penso em deixar de usufruir das coisas que venho usufruindo. Percebi com isso, a minha vontade de viver. Ainda que encontre muitas dificuldades na minha vida...percebo uma força muito grande em mim de continuar vivo, de continuar existindo...
Pode parecer demagogia, mas penso mais em seguir existindo pelos outros. Acredito que cada um de nós tem uma parcela de culpa e responsabilidade por aquilo que acontece a outrem. Não que eu seja um santo que a todos quer ajudar, mas gosto de fazer a minha parte, me sinto bem ao saber que podemos modificar positivamente a vida das pessoas, preenchê-las de significados, ajudá-las a se tornarem seres pensantes sobretudo de sua própria vida... de sua própria existência..
O texto pode parecer confuso, e ele o é...mesmo porque é assim que pretendo escrever...deixando meu múltiplo eu falar...escrever...pensar aquilo que quer...deixo minha cabeça e mãos livres para escrever..talvz não haja nenhum propósito nisso, mas sinto-me bem assim...
Gostaria de terminar este post dizendo que estou esperançoso em relação a mudanças neste novo ano, que embora tenha me tornado mais sagaz em relação as pessoas, posso continuar sendo o mesmo cara ingênuo que muitos ainda acreditam que sou.
Prometo, a mim mesmo, a partir daqui, ao menos um post por dia...quando as coisas apertarem, eu entenderei...mas vou tentar ser leal aquilo que prometi a mim mesmo...parece loucura...mas acredito que antes de mais nada devemos ser fiéis a nossa própria consciência...mesmo que ela seja assim, múltipla de idéias...
"Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia."
Caio Fernando Abreu