Queria tanto ser uma ilha
Perdida no meio de um mar inóspito e profundo
Banhado por águas calmas, limpas e transparentes.
Donde cocos caem ao chão sem o menor esforço humano.
Que esse mar viesse em mim, só pra mim
Que eu recebesse visitas sim, mas sem me doar
Sem me perceber faltando um pedaço
Dando alimentos a quem possa aproveitar
Queria não poder sentir
A brisa me machucar
O vento a me diluir
A chuva a me dissecar
Ser deslocado conforme a pressão e a gravidade do que possa me causar
Deixar-me inundar desse mar
Permitir-me frutificar
Perceber o quão fértil este meu terreno é
Sem adubo inventado, quero ser semeado
Preciso ser regado com altas doses de querer
Vem me visitar,
Prometo que não vai se arrepender
Se não for desejo teu ficar aqui pra sempre,
Te prendo aqui comigo,
Sem nenhuma forma de sair,
Você não terá vez.
Será meu amigo, ou quem sabe algo mais,
Aqui talvez encontre esta paz,
Pode ser, talvez.
MEu canto para externar as coisas que sinto ou para aquelas que sou apenas um veículo onde possa fazer sentir.
MÚLTIPLO EU
Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Amor, Amor
Eu não gosto de dizer que amo porque tenho medo das implicações que o uso desta palavra podem me trazer: mágoa, decepção, dor...
Mas isso não quer dizer que não o faça,
Amo sim, mas baixinho, sem dizer, sem fazer alarde, sem proclamar o amor e também sem querer formatá-lo num padrão para ser aceito por todos.
Seria uma desonra com aqueles que amam sinceramente.
Seria desonesto com aqueles que querem o sentir verdadeiramente.
Seria insano forçar algo que não existe apenas pra ter o prazer desta palavra usar.
Mas esse também é um ato humano, não é?
Fingir, pretender aquilo que não se é, para evitar frustrações.
Assim frustra-se querendo não frustrar-se.
Não é esse meu jogo.
O amor tem que estar no corpo todo, não só no coração e muito menos na boca.
Mas isso não quer dizer que não o faça,
Amo sim, mas baixinho, sem dizer, sem fazer alarde, sem proclamar o amor e também sem querer formatá-lo num padrão para ser aceito por todos.
Seria uma desonra com aqueles que amam sinceramente.
Seria desonesto com aqueles que querem o sentir verdadeiramente.
Seria insano forçar algo que não existe apenas pra ter o prazer desta palavra usar.
Mas esse também é um ato humano, não é?
Fingir, pretender aquilo que não se é, para evitar frustrações.
Assim frustra-se querendo não frustrar-se.
Não é esse meu jogo.
O amor tem que estar no corpo todo, não só no coração e muito menos na boca.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Capitães da História
Os seres humanos precisam de algo para se agarrar, no que acreditar. Quando não conhecem por si só a ética, recorrem à religião, que nada mais é do que um código de normas e condutas pautadas sob o olhar de outra pessoa (a quem lhe foi atribuída uma certa divindade), para guiar suas vidas.
Talvez isto seja um reflexo da nossa preguiça ou comodismo de pensar por si só, daí nossa extrema necessidade de receber ordens advindas de outras instâncias para corroborar algumas de nossas atitudes ou direcionar as nossas ações. Quando o diálogo com o outro, a construção conjunta é que pode nos dar um sentido cada vez maior de unicidade.
“Ela se foi. E eu me machuco por que também sou parte dela como ela é parte de mim”, é mais ou menos o sentido da frase que eu ouvi no espetáculo “Capitães da História”, realizado pelos alunos da Turma de Teatro II da Ong Grupo Código, que participo, um texto de Bruno W. Medsta e que me fez pensar muito neste sentido. Aliás, o desempenho destes jovens atores me rendeu até lágrimas e me surpreendeu quão maduros estavam ao dar vida aquele texto.
Penso que quando descobrirmos, de fato, que somos partes de um todo e de nós mesmos e de que tudo que fazemos influencia positiva ou negativamente neste cenário, poderemos tentar viver uma vida mais justa, menos desigual. Perceber que as nossas fragilidades podem ser superadas com as qualidades deste todo. Quem sabe o que pode nos guiar é o senso de coletividade com base nos princípios éticos.
Quem sabe um dia seremos os verdadeiros diretores das nossas vidas.
Quem sabe um dia seremos, assim como o nome do espetáculo, capitães da nossa própria história.
Talvez isto seja um reflexo da nossa preguiça ou comodismo de pensar por si só, daí nossa extrema necessidade de receber ordens advindas de outras instâncias para corroborar algumas de nossas atitudes ou direcionar as nossas ações. Quando o diálogo com o outro, a construção conjunta é que pode nos dar um sentido cada vez maior de unicidade.
“Ela se foi. E eu me machuco por que também sou parte dela como ela é parte de mim”, é mais ou menos o sentido da frase que eu ouvi no espetáculo “Capitães da História”, realizado pelos alunos da Turma de Teatro II da Ong Grupo Código, que participo, um texto de Bruno W. Medsta e que me fez pensar muito neste sentido. Aliás, o desempenho destes jovens atores me rendeu até lágrimas e me surpreendeu quão maduros estavam ao dar vida aquele texto.
Penso que quando descobrirmos, de fato, que somos partes de um todo e de nós mesmos e de que tudo que fazemos influencia positiva ou negativamente neste cenário, poderemos tentar viver uma vida mais justa, menos desigual. Perceber que as nossas fragilidades podem ser superadas com as qualidades deste todo. Quem sabe o que pode nos guiar é o senso de coletividade com base nos princípios éticos.
Quem sabe um dia seremos os verdadeiros diretores das nossas vidas.
Quem sabe um dia seremos, assim como o nome do espetáculo, capitães da nossa própria história.
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