MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Vai ver...

Porque insisto em lastimar cada despedida
Se quem me acena ao longe nem sequer me olha nos olhos pra dizer Adeus
Vai ver sou descartável como plástico
Incapaz de preencher vazios enfermos, vãos
Não creio ser assim tão desprezível
Embora ainda apresente incompletudes
Vai ver devo ser fluído como a água
Passo rápido, por quase tudo,
Aparentemente, sem deixar resquícios
Mas que com sua ação repetida aliada ao tempo
apresenta diversas modificações
Ora, insensíveis?
Ora imperceptíveis?
Vai ver tenho que ser duro como uma rocha
Intransponível,
Coração de muro sem deixar me tocar por nenhum desejo são.
Será esta uma doce resposta para eu não me amargar
Vivendo só o que só eu sei viver
Para que no meu íntimo eu possa me aperfeiçoar
Será?
Vai ver preciso aprender a dura tarefa de ser de carne e osso
Parar de querer que tudo tenha uma resposta,
Vai ver preciso ainda SER humano,
notar que a vida é uma incessante busca,
na qual eu tenho que perseguir insistindo em tentar me achar.