Não conseguia mais esquecer aquele garoto.
Sua imagem não saia da sua cabeça.
Estava em tudo o que pensava, naquilo que escrevia e também no que se alimentava.
Tentava dormir mas seus pensamentos lhe causavam um turbilhão que impedia que qualquer calmaria se aproximasse.
Seus dias eram intensamente ocupados por suas atividades, mas durante sua trajetória era impossível não pensar nele.
Impossível não pensar no seu sorriso, no seu jeito meigo, nas coisas que havia lhe dito e principalmente nas coisas que queria lhe dizer.
Ensaiava exaustivamente até o tão esperado momento do encontro.
Esse momento nunca chegava.
Isso causava ansiedade.
Seu corpo começava a sentir os efeitos. Já não vinha mais a vontade de comer e nem de fazer as necessidades fisiológicas.
Além do corpo, sua mente sempre se dividia. Parte de seu interior queria ir buscá-lo, a outra preferia aguardar e esperar seu contato. Não queria que fosse algo forçado, ansiava pelo natural.O natural não acontecia.
Aquela situação causava-lhe imensa dor.Dor que de certa forma lhe fazia bem. Se sentia vivo, porém fraco.
Não achava mais graça nas aulas e nas brincadeiras das pessoas. Achava ridículo pensar assim. Sempre imaginou que nunca teria que passar por isso. Afinal, sempre costumava controlar seus sentimentos.
Até então.
Dias se passavam, o encontro não acontecia.
A vida continuou a mesma.
As atividades se intensificavam e sentia-se mais feliz a medida que ia conhecendo cada nova sensação que antes julgava preterir.
A beleza das coisas ia aos poucos retomando o seu lugar.
Tudo voltava ao normal.
Ao seu normal.
Certa tarde o encontro finalmente aconteceu.
Já não era mais aquilo que esperava.
Mas ao contrário das suas expectativas, alegrou-se.
Sua forma física parecia a mesma e através dela podia enxergar seu interior e o quão intensamente havia mudado.
Tudo realmente havia mudado.
Não fosse o medo de olhar-se no espelho.
Jorge Braga Jr.
Um comentário:
Oiiii,
gostei dos textos.
Escrever é ótimo. A gente fica mais leve, mais vivo, mais humano.
boa sorte sempre...
Beijos,
Léo.
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