MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Além de mim

Não adianta
Não vou deixar você existir
Nem vir à tona só pra me confundir
Porque sei que é uma parte de mim
Que arde pra me redimir

E não vou deixar de ser um só
Aquele pelo qual o apego se fez só
Me faz sentir um louco na rua da solidão
Quero ser aquele que te faz rir
Só assim saberei viver e aprender
Que não pode morar outro em mim
Além de mim

Saber que está por perto me deixa confuso
E eu sou confuso
E te confundo
E você também
Quando o caso é raro, estranha
A gente ainda reclama
Que a vida é assim
Sei que saberei viver e aprender
Que não pode morar outro em mim
Além de mim

O rio é violento
Mas ninguém questiona as margens que querem o comprimir
Tudo é efêmero
Pra que mistério?
É só se deixar ir
O amor vem, é certo
Na hora que você menos espera
Tem um pra te confundir

Então eu te espero naquele horário combinado
O tempo passa mas eu continuo aqui parado
À vontade de te ter somado
E depois que encontro
Deitar ao seu lado
Conversar
Me faz querer ficar assim
Pra sempre


*Texto encontrado em meio a anotações. Provavelmente escrito em 2008 e revisado em 16/11/2010.

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