MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Deve ser o meu dever

Esse olhar pra fora incomoda
Olhar no olho de outrem
Ver se ao espelho
Para equiparar-se
É o embate
Luta de insígnios prazeres
Inúmeros deveres

Eu sei
Que o prazer é algo que me é assim satisfatório
Para uns, até meritório
Diante de tudo que se enfrenta a fazer
Sabe, esse deve ser o meu dever
Lutar para ter o que não preciso
Pois além do que me é dito
Tenho que satisfazer os olhares de quem tolhe aquilo que gostariam de fazer

Talvez seja esse o meu Fazer
Transgredir ao outro sem desrespeitá-lo
Mostrá-lo
Erguê-lo
Confiá-lo a ser o que seus sonhos mais vãos os permitem caminhar.
Seguir a dançar num baile frio e dançante
No encontro das águas
Na natureza perdida do mar de alguém
É aquilo que me alimenta
E me dissolve por dentro
É amor ao que não se tem direito

Perdoe-me
Vou ter que te fazer sofrer
Te fazer perguntar-se
Te fazer sentir
Se ao menos te fizer sorrir de ti,
Estarei igualmente feliz

E por mais que haja dor,
No encanto da sofreguidão
No abalo de um som
De uma voz estremecida
Poderei ser a poesia em ardor
Que possivelmente cuide ou atenue a sua ferida

Em chagas abertas
De repente
Não vou ficar
Faço o que faço e me (re)construo
Com base no maior dos sentimentos humanos
Cuja definição transcende a qualquer descritível emoção

Não faço PARA
Você, Ele, Nós
Não faço por onde
Faço por onde for
Desculpe falar assim
É meu prazer e maldição
Desculpe, enfim, se é que há algo a desculpar
Se fingi assim foi por amor
Peço perdão por não ter me apresentado:
Eu sou um ator.

2 comentários:

Paulo Amaro Ator disse...

...!!!demaiss.!

Jorge Braga Jr disse...

Que bom q gostou...
me dá vontade de escrever mais...