MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mangue Seco

Sonhei que estava com sede
E aquilo tudo era só fantasia
Da cabeça surgia
Um distante canto de passarinhos
Um ninho feito só para proteger
Do verão que passou
Do inverno que dessa vez não ficou
Hibernado em mim

O vento que me acariciava o rosto
Era o mesmo que movia dunas e destruía casas
A ladainha cantada por meninos em coro
Para vender seu peixe , caranguejo e camarão,
Aos turistas enfeitiçava

Seu nome era seco
E algo já me dizia
Que ali era tudo molhado
E morava a alegria

A simplicidade e sensação de só se fazer o bem
De sem olhar a quem
Viver na tranqüilidade
Do bar de Dona Raimunda
De uma boa Senhora dos Navegantes
Que nos guiasse pelo mar ou até mesmo rio que nos encontrasse.

Era o mar
Esse mar
Que servia e dava alimento
Que também destruía aquilo que encontrava
Oito casas e quartos
Um milhão de reais
Valor de um prêmio de programa de televisão
Que Yemanjá levava com apenas uma mão.

E era cocada, sururu e camarão
Peixe robalo
Shopping na contramão
No entanto ninguém discordava
Havia progresso
Em nós ele estava.

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