MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Você vai se transformar

A sua boa sorte me soa assim tão peculiar
Como pode alguém assim ter tantos princípios e deles discordar
Sabe
Acreditei que era aquela alma gêmea
Metade da laranja
Tampa de panela
Que era contra paixões efêmeras
E que pregava contra artificialidade de relações frágeis e fáceis

Agora
Você vai
Como que vira uma página
Como que rejeita um produto ou fecha uma janela
Como alguém que só não quer amar

Eu talvez entenderia
Se antes de um ponto final
Viessem, de explicação, os parênteses
Tenho muito a dizer
A explicar
E perguntar

Talvez você não tenha esse dever
E não seja meu dom fazer me entender, a querer saber
E eu não queria fechar conclusões, ficar no achar
Não tem jeito, eu sei
Acabou, Acabou
Acabou por terminar

No entanto, te agradeço
Dos males o menor
Me dás munição
Com isso que vivemos
A página virada, a janela fechada
Agora é poesia, canção.

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