MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

À minha juventude

Agora meus punhos estão em riste
Enfim, aguardava sempre uma luta para lutar
Minha geração é apática, uns dizem
Até midiática
Passiva demais
Não dá para agüentar

É daquele tipo que luta por times
Veste coloridas camisas
Organiza torcidas só para enfatizar
Lances perfeitos de grandes fenômenos criados
Que tem seus bolsos cheios de milhões
Enquanto uns choram misérias em barracos pobres
Outros cortam seus pulsos em suas imponentes mansões

São jogos de guerra, são vários, diários
Que precisamos suportar
Às vezes inertes
Às vezes, sem-terra
A reação, ao que me parece, é nula
A vontade existe, ideal para buscar
No entanto, a garganta mais uma vez cala
E é a mesma que beija aos outros
Sem ao menos poder confiar

À minha juventude
Geração de meu tempo
Nos é dado um único direito e vocês insistem em tentar enfrentar
De todos aqueles que já nos foram negados
Sobra apenas esse, único, um
Ainda que inconstitucional
O direito de sonhar.

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