MÚLTIPLO EU

Escrever é ao mesmo tempo dádiva e tragédia de servir ao outro e a si mesmo no intuito de amortecer os tropeços do caminho.



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Queria tanto...

Queria tanto ser uma ilha
Perdida no meio de um mar inóspito e profundo
Banhado por águas calmas, limpas e transparentes.
Donde cocos caem ao chão sem o menor esforço humano.
Que esse mar viesse em mim, só pra mim
Que eu recebesse visitas sim, mas sem me doar
Sem me perceber faltando um pedaço
Dando alimentos a quem possa aproveitar

Queria não poder sentir
A brisa me machucar
O vento a me diluir
A chuva a me dissecar
Ser deslocado conforme a pressão e a gravidade do que possa me causar
Deixar-me inundar desse mar
Permitir-me frutificar

Perceber o quão fértil este meu terreno é
Sem adubo inventado, quero ser semeado
Preciso ser regado com altas doses de querer
Vem me visitar,
Prometo que não vai se arrepender
Se não for desejo teu ficar aqui pra sempre,
Te prendo aqui comigo,
Sem nenhuma forma de sair,
Você não terá vez.
Será meu amigo, ou quem sabe algo mais,
Aqui talvez encontre esta paz,
Pode ser, talvez.

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